FUP é a mãe

2008 Junho 13

Entre todas as técnicas disponíveis para o trabalho de Relações Públicas, o mais odiado por esse ser que vos escreve é o follow-up.

OBS: Cerca de 10% das nomenclaturas desta ciência foram traduzidas aqui no Brasil, incentivando a disseminação do estrangeirismo entre os comunicadores e nos levando a absurdos horrorizantes, como “releiautar” ou “relayoutar”, como preferir.

Voltando ao assunto, follow-up é uma ferramenta considerada crucial nas assessorias de imprensa. Consiste em utilizar o telefone para estabelecer contato direto com os jornalistas para os quais você planeja “vender” uma pauta, que pode ter sido enviada previamente via e-mail/carta/motoboy/pombo-correio ou anunciada na hora mesmo.

O saco problema é: por mais que os jornalistas adorem ser paparicados e ter o seu esforço reduzido sempre que possível (não neguem, é verdade!) não querem que os assessores perturbem seu santuário nas redações com suas falas empolgadas e convidativas sobre pautas que ele provavelmente não está interessado no momento. Pois é, às vezes temos que enfiar a proposta goela abaixo mesmo, não tem jeito – mas é claro que é muito melhor quando há interesse das duas partes, tudo flui melhor.

Quem me conhece sabe que detesto o maldito invento de Alexander Graham Bell – quanto menos contato tiver com essa ferramenta do demônio, mais feliz fico. A coisa toda fica pior quando você pega a parcela considerável da classe jornalística que tem o dom de ser particularmente detestável ao telefone: são rudes, irônicos, apressados, irritantes e alguns desfrutam de certo prazer ao fazer isso com os seus companheiros comunicadores. Devemos lembrar que não são só os RPs que povoam as assessorias, muito pelo contrário! Grande parte desses profissionais são jornalistas.

Não desmereço a utilidade da ferramenta nem tiro a razão dos jornalistas, pois deve ser um inferno ouvir o telefone tocar sem parar bem na hora do fechamento… mas um pouco de civilidade e educação não matam ninguém…

…mas que eu fico puto, eu fico!

3 Respostas leave one →
  1. 2008 Junho 27
    annavirginiabeaelli permalink

    gente.

    eu não comento jamé, mas fez por merecer: assino embaixo, em fosforescente, bold, sublinhado – e coraeçõezinhos em vez de pingos nos i’s.

  2. 2009 Maio 12

    Rapaz… acabei de enviar meu cv para uma vaga de jornalismo, que solicitava um bom FUP. Na dúvida, achei melhor procurar o significado da simpática sigla e me deparei com o seu blog.
    Se eu soubesse o quão irritante é o tal do fup, não teria mandado. Isso porque eu sou estudante de jornalismo, e me imaginei daqui há alguns anos em uma redação, e um pobre estagiário me ligando.
    Essa vida não é justa… fala sério.

    A propósito, eu sei que o post é antigo, mas eu dei uma passada nos mais recentes. Gostei do blog. (: Considere que você tem uma nova visitante a partir de agora.

    Beijos. ;*

    • 2009 Maio 27

      Hahahahahaha, valeu! E acho que não consegui passar a metade de como o FUP pode ser infernal, mas vc vai acabar descobrindo uma hora… assim que conseguir botar ordem na casa volto a escrever aqui.

      Bjos!

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