A Valentine’s Tale

2008 Junho 13

A conversa estava boa, mas ele preferiria cometer harakiri a adiar um segundo sequer a sua visita ao banheiro. Levantou e mirou na porta que traria redenção à sua bexiga. Outro passou a sua frente e entraram juntos no W.C. masculino.

Ao entrarem, notaram que só havia um mictório vazio. “Esse povo não respeita mais a lei de um mictório de distância”, pensou ele. O outro, notavelmente bêbado, apontou para o vaso com certa deferência. “Não, você entrou primeiro, pode ir”, disse, apesar de seus órgãos estarem a ponto de explodir. Civilidade em primeiro lugar.

Quase que imediatamente o mictório ao lado foi vago. “É, parece que sobrou um pra você”, comentou o bêbado com um sorriso sincero e olhos desfocados.

O zíper desce, uma leve mirada, e então a maravilhosa sensação de alívio recobre seu ser. Era o Nirvana aromatizado com pinho! Seu regojizo do momento foi quebrado pelo breaco:

- Cerveja é foda, né.
- Ahn, é… – retrucou, visivelmente perturbado
- Eu di um bêjo nela-TAN NANANANANANANAM-e chamei pra passiá-TAN NANANANANANANAM-a gente fomus pru shópi- NANANANANANANAM…

O bêbado continua o assassínio dos já finados Mamonas Assassinas enquanto lava as mãos e se afasta, abrindo a porta e voltando para o bar. Eu e um clone mais baixo e mais gordo de Rivers Cuomo, os únicos que sobraram no banheiro, trocamos um olhar e nos dobramos de rir.

Dia dos Namorados é foda.

Uma resposta leave one →
  1. 2008 Junho 25

    Tá, eu quase não entendi porcaria nenhuma (sinto-me tentada a dizer “ainda bem”), mas caramba, seu texto tá mil vezes melhor!!! E já era bom. Não fica metidinho, hein? Não é pra ganhar dinheiro, é pra mudar o mundo. O seu mundo, que seja. Bleeeee!:P

    E viva o bêbado, quem quer que ele seja.

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